SOS Pontos de Cultura.

http://atochajornal.files.wordpress.com/2012/11/542987_2585408369971_604950722_n.jpgO Ponto de Cultura é ação prioritária do Programa Cultura Viva. São iniciativas da sociedade civil que firmaram convênio com o Ministério da Cultura e com a Secretaria de Estado da Cultura.

Visa também apoiar o desenvolvimento de uma rede horizontal de articulação, recepção e disseminação de iniciativas e vontades criadoras. Suas diretrizes são: potencializar as energias sociais e culturais, dando vazão à dinâmica própria das comunidades, estimulando a exploração, o uso e a apropriação dos códigos, linguagens artísticas e espaços públicos e privados que possam ser disponibilizados para a ação cultural; valorizar a experiência local e as ações já desenvolvidas pelas comunidades, ampliar o repertório cultural das mesmas e incentivar o fazer e a criatividade local”.

O Ponto de Cultura Balcão de Artes e Cultura Viva “Eneida Andrade Dias” possui hoje aproximadamente 220 alunos matriculados e têm sete professores que dão aulas de canto coral, piano, teclado, violão, viola caipira, dança clássica e moderna, capoeira e karate. As aulas de instrumentos são todas através do ensino coletivo, o que contribui para que alunos e professores exercitem a cidadania, a paciência, a solidariedade, a tolerância transformando-os em seres humanos mais sensíveis e colaborativos.

Além disso, o Instituto Musical Carlos Gomes, que existe há 35 anos em nossa cidade, é a entidade proponente do projeto Ponto de Cultura e possui dois cursos técnicos em instrumento, devidamente reconhecidos que conferem diploma ao término do curso de piano erudito e violão erudito.

Também fazem parte do plano de trabalho aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura os cursos e oficinas de capacitação em Educação Musical, e o Balcão de Artes e Cultura Viva já proporcionou várias oficinas de Musicalização para Educadores, através da Oficina Cultural Fred Navarro de São José do Rio Preto. Além disso, o Ponto pode orientar na implementação da lei 11.769/08 que prevê a obrigatoriedade do ensino musical na grade curricular dos ensinos fundamental e médio.

O Balcão de Artes e Cultura Viva “Eneida Andrade Dias” tem o reconhecimento estadual e federal no tocante às suas ações culturais: possui dois membros eleitos legitimamente nos Fóruns Estaduais e Regionais, representantes da região na Comissão Paulista dos Pontos de Cultura e também possui dois Delegados Nacionais de Pontos de Cultura, levando o nome de Santa Fé do Sul Brasil afora.

Já sediamos duas TEIAS Regionais em 2009 e em 2010 (TEIA é o nome que se dá aos encontros de Pontos de Cultura), já fomos convidados pelo artista multimídia, compositor e cantor Jorge Mautner a participar da mostra artística da TEIA Nacional de Belo Horizonte em 2007, já fomos convidados pelo Ministério da Cultura, a nos apresentarmos na TEIA Estadual de Guarulhos em 2010, na entrega do Prêmio ASAS do qual fomos contemplados pelos relevantes serviços prestados nos três primeiros anos do convênio, além de termos participado de todas as TEIAS regionais, estaduais e nacionais com representação legítima de dois membros de Santa Fé do Sul.

Existe também uma rede de Pontos de Cultura Regional, formada por 23 Pontos de Cultura na região de São José do Rio Preto, da qual pertencemos e mais 4 Pontos de Cultura na região de Araçatuba, onde o Ponto de Santa Fé do Sul é o principal articulador desse movimento organizando Fóruns e orientando a rede quando necessário.

Em abril deste ano, o Instituto Musical Carlos Gomes enviou um projeto e foi contemplado com o título de Utilidade Pública Municipal e todos os vereadores que fizeram parte desse processo levarão na lembrança, pelo resto de suas vidas públicas, o comprometimento com ações culturais de respeito ao povo e para o povo e não apenas com uma “escola que dá aulas de música”, mas com toda essa diversidade de ações culturais, sociais e de cidadania que só tem a contribuir com a comunidade santa-fé-sulense.

O projeto Ponto de Cultura termina em dezembro próximo, pela segunda vez consecutiva (somos Ponto de Cultura desde 2006) e o Instituto Musical Carlos Gomes, não tem como manter as ações que hoje atendem a comunidade.

A entidade é sem fins lucrativos e não tem como manter o salário dos professores e coordenadora, o pagamento do aluguel, água, luz, telefone, enfim, não existe a menor possibilidade de manter a Instituição aberta sem o repasse de verba do Ponto de Cultura, a menos que haja vontade política municipal e comprometimento da sociedade civil.

Não há também renovação de convênio e até agora não temos a informação de que o Governo do Estado de São Paulo vá lançar novo edital, o que também não garante que sejamos Ponto conveniado novamente, uma vez que é necessário passar por uma nova seleção e, mesmo que haja um novo edital e uma nova seleção de projetos, não será de imediato. Diante de tal situação, o Instituto Musical Carlos Gomes não tem outra opção a não ser fechar as portas.

Não acreditamos que apenas o poder público deva se sensibilizar com a nossa situação. Cremos na junção do poder público com o comprometimento da própria comunidade, dos empresários locais, e de todo aquele que acredita no poder transformador da cultura e da música, para que assim consigamos manter as ações culturais dessa Instituição.

Hoje atendemos abaixo de nossa capacidade, pois além do salário dos professores serem muito baixo não estamos fazendo nenhuma divulgação devido ao fato do término do projeto e da possibilidade de fechamento. Ainda temos horários livres para novas turmas, para parcerias com outros projetos do município, mas todos os professores procuram outras atividades artísticas em outros lugares para complementar o salário.

Estamos atualmente com 80 alunos de violão, 41 de teclado, 08 de viola caipira, 10 de canto coral, 20 de dança, 20 de karate e 18 de capoeira, num total de aproximado 220 alunos. Os professores de dança, capoeira e karate não são remunerados pelo repasse de verba do projeto por não constar do plano de trabalho, mas usam o espaço do Ponto de Cultura e em troca contribuem nas despesas com material de escritório, produtos de limpeza, recarga de cartucho da impressora, etc.

Todas as aulas são gratuitas, mas para ajudar no salário do professor informamos no ato da matrícula, sobre uma taxa FACULTATIVA de R$15,00 reais mensais que o aluno deve repassar direto ao oficineiro. Dificilmente a pessoa não concorda com a taxa quando é informada sobre o valor que o professor recebe, mas se ela não concordar frequentará as aulas do mesmo modo que aquele que concorda em ajudar.

Para pagar o salário dos professores, coordenadora, aluguel, água, luz, telefone, alarme, faxineira precisamos de R$ 4.475,00 mensais. Sem ampliar o número de atendimentos, sem contratar mais professores ou incluir mais ações culturais. Para tudo permanecer como está este é o valor que precisamos para dar continuidade às nossas ações artísticas culturais.

De que forma vamos conseguir? É isso que gostaríamos de ouvir de vocês que nos conhecem e conhecem a nossa luta. Precisamos do envolvimento de todos com suas ideias e sugestões para não deixarmos o Instituto Musical Carlos Gomes fechar!

Claudia Borges

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