Santa Fé do Sul, 63 anos.

Até 1946, o extremo noroeste do Estado, nas divisas de Minas e Mato Grosso, era praticamente desabitado. Um grande e improdutivo latifúndio pertencente a John Bing Paget, inglês que jamais viera visitar as terras que possuía, era vigiado por uns poucos mateiros. Há suspeitas de que Bing Paget fosse simples “testa-de-ferro” de alguma companhia petrolífera inglesa e que detivesse a imensa área, cerca de 36 mil alqueires, à espera da oportunidade para iniciar a pesquisa de óleo mineral.

Com a redemocratização do país, uma das exigências dos constituintes era de que o subsolo brasileiro fosse considerado como de domínio da União e que a pesquisa e lavra de minerais dependessem de autorização governamental.

Coincidentemente, nessa época, a 15 de maio de 1946, a imensa gleba era vendida à Companhia Agrícola de Imigração Colonização– Caic – uma empresa subsidiária da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, um empreendimento dos barões do café e dos nascentes industriais paulistas.

No dia seguinte à compra, como auxiliar de campo, para medir e se apossear da área, aqui chegava Mário Camargo, posteriormente nosso primeiro vereador e inspetor-delegado de polícia. Logo depois, a 26 de junho, o engenheiro Hélio de Oliveira também aqui chegava para receber de Moacir de Oliveira Lopes, preposto de Bing Paget, a posse de toda a gleba, ainda imensos matagais com algumas clareiras com lavouras de sustento.

A região, embora palmilhada desde cem anos antes por tropeiros, era inóspita e agreste. A mataria cerrada, que tantos incêndios sofrera no perpassar dos anos, retorcia-se nos troncos seculares.

Em meados de 1947 porém, o projeto de colonização de toda a gleba já estava pronto. Seiscentos alqueires foram reservados para o futuro núcleo urbano; cem, para loteamento da cidade e quinhentos para o “cinturão verde”, chácaras que dariam alimentos à população urbana. Em setembro daquele ano começaram a chegar as primeiras famílias, trazidas por Hercílio Antônio Araújo, que ficou conhecido como “Coronel Araújo”, o maior propagandista das terras então postas à venda.

A sede velha era o escritório e a pousada onde se abrigavam os primeiros colonos. Situava-se às margens da estrada boiadeiro, hoje vicinal do Córrego do Jacu Queimado, pouco além onde hoje se encontra o Frigorífico Tatuibi.

Logo depois começou a surgir a “vila”. A primeira casa de comércio, na Avenida Conselheiro Antônio Prado, ao lado de onde hoje se encontra a loja Ideal Móveis, foi a “Casa Araújo”, de Emídio Antônio Araújo, filho de Hercílio e pai do deputado Edinho Araújo. A 31 de maio de 1948, antes da fundação oficial da cidade, nascia o primeiro santafessulense, Antônio Carlos de Santa Fé do Sul e França.

A fé dos desbravadores, simbolizada pela grande cruz que as duas avenidas principais simbolizam, quis dar por marco inicial da cidade a primeira missa aqui celebrada, isso a 24 de junho 1948.

As bênçãos de frei Canuto, franciscano trazido de Aparecida do Taboado para oficiar aquele ato religioso e a prece do povo, frutificaram nos anos seguintes. A firmeza com que Hélio de Oliveira prosseguia na colonização de terra nova e a exuberância do solo concorreram para Santa Fé deixasse de ser risonha esperança e se transformasse em cinco anos em uma cidade progressista a justificar sua elevação a Município no final do ano de 1953.

Aqui o tempo passou rápido. Na comemoração de seu primeiro decênio, em 1958, a cidadezinha de oito mil habitantes já era paróquia, tinha duas agências bancárias, hospital, ginásio escolar e estrada de ferro. No ano seguinte, chegavam a energia elétrica, a rodoviária, a rodovia estadual e a telefonia. Em 3 de maio de 1962 instalou-se a comarca e, quatro após, a rede de água potável, a coleta do esgoto sanitário, a pavimentação asfáltica.

Em fevereiro de 1970 O JORNAL iniciou suas atividades. Um pouco antes, em dezembro de 1969, foi criada a Associação Santafessulense de Educação e Cultura, que veio em 1972 ser a mantenedora da então recém criada Faculdade de Educação Física da Alta-araquarense.

Posteriormente, em 1976, a Asec foi transformada em Fundação de Educação e Cultura de Santa Fé do Sul – Funec, - que mantém, agora, 14 cursos de graduação em nível de bacharelado e licenciatura e três cursos superiores de Tecnologia.

Hoje, Santa Fé do Sul, como estância turística, é uma cidade agradável de se viver, linda, com 30 mil habitantes e uma grande estrutura de lazer que a torna expoente da Região dos Grandes Lagos.

Fonte: O Jornal de Santa Fé do Sul.

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