Repúdio ao Repúdio.

http://www.correiosantafe.com.br/arquivos/noticias/DSC04531(1).jpgNa noite de 14 de junho, terça feira passada, a Câmara Municipal de Santa Fé do Sul aprovou, por unanimidade e pela primeira vez na história, Moção de Repúdio em desfavor do Sr. Adaulto Luiz Lopes, pois o mesmo teria insultado a Edilidade.

Dr. Adaulto, como é conhecido, atraiu a atenção dos nossos Edis por que, em edição anterior do Jornal Regional, semanário que circula nesta cidade e região, manifestou o entendimento de que os Vereadores, durante os últimos mandatos, vêm sendo omissos ao votarem projetos de leis apresentados pelo Executivo relativos à FUNEC.

Antes de qualquer manifestação de contrariedade pela ideia apresentada, primeiro é de se questionar se a afirmativa feita por Adaulto é razoável e representa somente uma constatação, mas não um insulto. Segundo, é de se questionar se tal afirmativa está atrelada ao direito constitucional e sagrado de manifestação de opinião. Por fim, e o mais importante, é se observar se tal opinião é só do Dr. Adaulto ou é da maioria da população. A nossa, ao menos, é.

A mesma Câmara Municipal que um dia concedeu o título de cidadão santafessulense a Adaulto Lopes, agora injustamente vem entregar-lhe tal Moção de Repúdio. O título foi pertinente, pela extensa folha de serviços prestados pelo mesmo à Santa Fé. A moção é desapropriada, vez que no fato ocorrido não há ofensa alguma a Vereador ou à Câmara, mas sim, simples manifestação de pensamento.

Faltou a Casa de Leis cuidado e sensibilidade com acontecimento envolvendo um cidadão que chegou em Santa Fé do Sul há por volta de quarenta e, desde então, participa ativamente da história desta cidade.

Adaulto tem virtudes e defeitos, ele bem sabe, como todos nós temos, conforme ensinamento do Cristo diante da mulher adúltera. Mas tais defeitos não são suficientes para encobrir e largar ao esquecimento sua luta e seu empenho para fazer de Santa Fé do Sul um lugar melhor. Isso é inegável, no decorrer dos últimos quarenta anos de história da cidade.

Como se não bastasse todo o ocorrido, é de se observar, outrossim, que a votação se deu por unanimidade. Portanto, tanto os vereadores eleitos pela base política e partidária do atual prefeito votaram a favor da Moção de Repúdio, como era de se esperar, mas também assim o fizeram os vereadores que foram eleitos pela base política em tese oposicionista, da qual teoricamente faz parte Adaulto.

Será que nem estes Edis conseguiram interpretar coerentemente o ocorrido, mesmo não tendo naturalmente a sanha da parcialidade situacionista?

Com efeito, é de se frisar que não escrevemos em nome e na defesa do Sr. Adaulto. Não temos tino e nem procuração para isto. Traçamos estas linhas, sim, em nome do direito de livre manifestação do pensamento, em favor da aplicabilidade irrestrita da Constituição Federal e, principalmente, na defesa do Estado Democrático de Direito.

Não é concebível que no Parlamento, local onde a arma é falar, uma fala inofensiva, embora crítica, seja penalizada com tal veemência, sem respeito à história e aos fatos.

A finalizar, no episódio que se desterra, fica latente que os representantes do povo agiram como representantes de si próprios, sob a égide da vaidade, infelizmente. Isso não é uma acusação, mas uma constatação. É crítica construtiva que deve ser digerida por quem detém o Poder, em nome do povo, para que eventos como o que se viu não ocorram novamente. Como traz o Eclesiastes bíblico: “Vaidade de vaidades, diz o Pregador, tudo é vaidade!”.

Desfaçam o erro, senhores! Não deixem esse fato deprimente atravessar a posteridade! Ainda há tempo, sempre há tempo!

Dr. PAULO SANTANA, Advogado, Especialista em
Direito Administrativo, Professor da FUNEC,
Consultor e Assessor Jurídico.

Fonte: Correio Santa Fé.

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