Polícia investiga mais de mil licitações.

Desvio de verba federal é principal alvo de operação que fez varredura em 79 prefeituras da região.

Vinícius Marques (Bom Dia)
vinicius@bomdiariopreto.com.br

Mil contratos suspeito. Esse foi o estopim para a Operação Fratelli, realizada anteontem na região de Rio Preto. A investigação apura quadrilha que fraudava licitações em 79 prefeituras no Interior, a maioria delas na região de Rio Preto.

O BOM DIA apurou que a suspeita de desvio de verba atinge cerca de mil licitações nas prefeituras que passaram por varredura anteontem. Os contratos foram firmados entre 2007 e o ano passado. A fraude nas prefeituras  chega a R$ 1 bilhão, segundo informações do Ministério Público.

Treze pessoas foram presas na operação que apreendeu R$ 560 mil. As empresas Demop Participações  e Scamatti & Seller são acusadas de comandar o grupo. Ex-prefeitos da região também são investigados.

Eles são acusados de esquema para fraudar licitações com empresas de fachada. Uma das empresas investigadas, segundo a apuração, aumentou patrimônio em 600% em apenas cinco anos. A força-tarefa que investigou as supostas fraudes é formada por integrantes do Gaeco, grupo do Ministério Público que investiga crime organizado, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. Centenas de CPUS de computadores das prefeituras foram apreendidos em 160 mandados.

De acordo com o delegado da Polícia Federal de Jales  Cristiano de Pádua Silva, o inquérito apura crimes de desvio de verba pública, formação de quadrilha, corrupção e fraudes em licitações com recursos dos  ministérios das Cidades e do Turismo.

Os recursos são liberados para os municípios por meio de emendas parlamentares. A polícia afirma que mais prefeituras podem ser investigadas e mais políticos. “As verbas chegam por meio de emendas. Se for averiguado indício de envolvimento de agentes políticos, será encaminhado para os órgãos competentes”, afirmou o delegado. Casos que envolvem prefeitos podem ser encaminhados para a Procuradoria Geral da República ou Ministério Público estadual.

A Polícia Federal cumpriu 160 mandados de busca e apreensão  Um deles em uma casa em Rio Preto. Seria um empresário ligado às empresas investigadas.  O MPF ainda investiga suspeita de irregularidades na liberação de recursos pela Caixa.

Outros estados

As investigações conduzidas pelo Gaeco, MPF e Polícia Federal apontam que o grupo suspeito de fraudar licitações pretendia  agir em outros estado, como Mato Grosso do Sul e  Minas Gerais, que  foram alertados das suspeitas de irregularidades. O BOM DIA tentou entrar em contato ontem, representantes da Demop, mas advogados da empresa não retornaram as ligações.

Presos são transferidos para Rio Preto e apuração é centralizada no Ministério Público

Três suspeitos de participar do esquema de fraudes em licitações que foram presos anteontem em São Paulo e em Campos do Jordão vão ser transferidos para Rio Preto. Eles vão juntar-se a grupo de dez pessoas que foram presas nas cidades da região. Entre elas estão donos da Demop e da empresa Scamatti e Seller. Os cinco irmãos donos da Demop foram presos. Eles foram levados para a DIG (Delegacia de Investigações Gerais). Os presos vão ser ouvidos no Ministério Público, onde os depoimentos serão centralizados. Peritos do Ministério Público virão de São Paulo para analisar o material apreendido.

O procurador da República Thiago Lacerda afirma que trata-se de um dos maiores esquemas de desvios de dinheiro público no país. Ele disse ontem que “em breve” devem ser ajuizadas as primeiras ações referentes à operação que paralisou as região anteontem. Prefeituras foram lacradas para retiradas de possíveis provas de crimes.

Deputado aparece em gravação da operação

O deputado estadual Itamar Borges (PMDB), da região de Santa Fé do Sul, foi gravado durante  as investigações, segundo o jornal “O Estado de S. Paulo”.  Na conversa, Itamar fala com  Olívio Scamati, um dos acusados  presos anteontem. Ambos falavam de liberação de verbas de emendas para obras, segundo a gravação. O deputado admitiu ontem que manteve conversas com o acusado. “Ele (Olívio) realmente me pediu  emenda para uma entidade.  A operação interceptou uma ligação e eu me recordo dessa conversa”, disse. A entidade é de Votuporanga. “Não sou investigado”, disse.

Fonte: Bom Dia.

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