Família de Santa Fé ganha indenização por falso exame de Aids.

http://www.correiosantafe.com.br/arquivos/noticias/IMG_0459.JPGO Tribunal de Justiça condenou o Estado de São Paulo a pagar à ajudante de cozinha Adriana Carla São Marco, 21 anos, de Santa Fé do Sul, e ao seu marido, Thiago Gomes Salvador, 23, técnico em refrigeração, R$ 50 mil (R$ 25 mil para cada um) de indenização pelo diagnóstico falso positivo para o vírus da Aids, mais de uma vez, durante pré-natal realizado em 2009.

Os testes foram feitos em Jales, em laboratório do Instituto Adolfo Lutz, credenciado à Secretaria Estadual de Saúde. “Resolvi processar o Estado porque eu e meu marido ficamos quase doidos. Quando fui contar para ele, eu só chorava. Não acreditava que aquilo tudo estava acontecendo comigo”, recorda a ajudante de cozinha.

Ela conviveu com a ideia de ser soropositiva entre os meses de março e junho de 2009. Por causa da doença, a pequena Ana Júlia, que completa 2 anos dia 29, precisou nascer antes do tempo. “Foi muito traumático. Me encaminharam para uma consulta em Rio Preto. Cheguei de manhã e à noite já estavam fazendo a cesárea porque não queriam correr o risco de eu ter parto normal e passar o vírus para a criança”, conta. Adriana hoje deixa a filha numa creche de Santa Fé enquanto trabalha em um restaurante.

Além da preocupação com a saúde da criança, a notícia de ser portadora de HIV fez com que ela tivesse depressão. Adriana lembra que desconfiou do marido na época, e que ele passou a cogitar a possibilidade de também ter o vírus. “Na minha cabeça, se eu tivesse a doença, eu tinha pego do meu marido.”

Após o primeiro resultado positivo, Adriana foi submetida a novos exames pelo mesmo laboratório, em Jales. Todos, até o mês de junho de 2009, apresentaram o mesmo resultado. O marido fez o teste em um laboratório particular, e o resultado foi negativo para o HIV. Adriana também teve resultado negativo no laboratório particular, em 23 de junho. “ Mesmo com esses exames negativos, os médicos preferiram me encaminhar para Rio Preto para terminar o pré-natal.”

No dia do nascimento da sua filha, Adriana tinha viajado de Santa Fé a Rio Preto para apenas uma consulta, mas acabou submetida à cesárea, três semanas antes do programado, no Hospital de Base. Na ocasião, ela fez um teste rápido de HIV, que deu negativo, mas em razão dos três resultados positivos atestados anteriormente pelo laboratório Adolfo Lutz, a equipe médica optou pela antecipação do parto, a fim de evitar riscos para a criança.

A realização do parto antecipado é o procedimento em casos de gestantes com HIV positivo, para que o vírus não seja transmitida ao bebê durante o parto. “Fiquei desesperada quando falaram que eu ia ter de fazer a cesárea. Estava com meu pai e ele teve de voltar no mesmo dia. Fiquei sozinha no hospital. Não tinha roupa nem para mim e nem para a bebê.”

Bebê fica sem amamentação

Além de nascer prematura e ficar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a filha do casal, Ana Júlia, não pôde ser amamentada pela mãe, pois haveria um suposto período de contágio pelo HIV. Um dia depois do parto, a equipe médica do HB pediu novo exame à Adriana, que teve resultado negativo. O mesmo foi realizado no dia seguinte, para que se pudesse ter a certeza de que a ajudante de cozinha não era soropositiva. “Foram três dias no hospital, sem poder ficar perto da minha filha nem poder amamentá-la. Depois meu leite secou por causa de todo o trauma que eu passei.”

A decisão do Tribunal de Justiça manteve o valor da indenização fixado na primeira instância. A sentença da Justiça de primeiro grau, do juiz Marcelo Bonavolontá, da 3ª Vara de Santa Fé do Sul, foi dada em 11 de março passado. O relator do caso no Tribunal, desembargador Guerrieri Rezende, considerou em seu voto que ficou evidenciado que o casal sofreu “sérios abalos psicológicos” com o resultado falso positivo para o vírus da Aids. “Tudo isso demonstra que o atendimento médico-hospitalar não foi adequado, já que o exame foi realizado várias vezes, com vários resultados positivos, somente dando negativo quando os autores decidiram realizar o outro laboratório particular, em Rio Preto, quando o mal já estava feito”, diz o desembargador.

Procurada, a Procuradoria-Geral do Estado informou que após intimação, o Estado analisará os autos do processo judicial e, se for o caso, interporá o recurso cabível. Os advogados do casal, Mayra Pulzatto e Marcos Eduardo Leite, ficaram satisfeitos com o resultado.

Prefeitura de Rio Preto é ré por falso HIV

A Prefeitura de Rio Preto também responde a processo judicial por falso HIV positivo. A manicure O.D.F., 28 anos, ingressou com a ação em março porque, durante o pré-natal recebeu, de forma equivocada, diagnóstico positivo para HIV em exame feito em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) da rede municipal. A mulher, que é saudável, pede R$ 65,4 mil pelos danos morais que alega ter sofrido em consequência do erro no resultado do exame, que fez em março do ano passado, em seu terceiro mês de gestação.

Ao saber do resultado, o marido da manicure ficou revoltado e a acusou de traição. Na ação, o advogado do casal, Marco Antônio Scarpassa, considera que o tratamento do Poder Público nesse caso foi “muito deficiente”, pois em nenhum momento a então gestante e seu marido foram suficientemente esclarecidos de que alguns exames podem apontar para resultados falsos positivos, e que novos exames precisariam ser feitos para confirmar ou corrigir o resultado anterior.

Por causa da desconfiança, o marido de O. chegou a sair de casa e retornou somente depois de saber do terceiro exame com resultado negativo para o vírus feito pela mulher. Nesse intervalo, ele também fez o teste rápido de HIV para provar à manicure que não seria ele que a teria infectado.

Fonte: Correio santa Fé, Diario da Região.

Bookmark and Share