Eletricista é condenado a 15 anos por asfixiar esposa.

Por Daniela Trombeta Dias

http://www.ojornaldesantafedosul.com.br/materia12.jpgDepois de 1 ano e 6 meses do assassinato da garçonete Ariane Almeida Batista, de 27 anos, seu marido, o eletricista Ivan Pereira, de 32 anos, foi a júri popular na última quarta-feira, 24, no Fórum de Santa Fé, cujo julgamento foi presidido pelo juiz Camilo Resegue Neto, tendo como promotor Felipe W. Caetano, e advogado de defesa Gilberto Antonio Luiz.

O júri, que estava marcado para as 9:00 horas, começou às 10:00 horas, e a sala do tribunal do júri lotada, tanto por parentes e amigos de Ariane quanto de Ivan e ainda estudantes de Direito.

O júri foi formado por quatro mulheres e três homens e terminou por volta das 18:30 horas.

O eletricista foi condenado a 15 anos de prisão por homicídio doloso qualificado, em regime inicialmente fechado.

Presente no júri, Rael Batista, pai de Ariane, falou à reportagem que sua esperança era que o ex-genro pegasse ao menos a pena máxima. “Ainda estou com a ‘cabeça perdida’, inconformado com a morte dela. Minha filha sempre foi uma boa moça. Ela trabalhava para poder ajudar o marido no sustento da casa”.

Segundo ele, Ivan era agressivo e Ariane já tinha tentado se separar, mas o mesmo não aceitava.

O crime

http://www.ojornaldesantafedosul.com.br/materia6.jpgIvan matou Ariane asfixiada na residência onde o casal morava com as duas filhas, que na época tinham 8 e 3 anos, situada Rua Venezuela, no Jardim Morumbi. No momento do fato, por volta das 15:30 horas, as meninas não estavam na casa.

O crime aconteceu no dia 1º de abril de 2011, quando Ariane e Ivan brigaram e ele a asfixiou apertando seu pescoço com as duas mãos. Ao perceber que Ariane estava morta, Ivan a sentou no banco de seu carro, tendo inclusive colocando óculos de sol na vítima para que, ao passar pelos vizinhos e pedestres, ninguém percebesse que ela estava sem vida.

O eletricista jogou o cadáver da esposa em uma estrada de terra que dá acesso a Três Fronteiras/Santa Rita D’Oeste, o qual foi encontrado por populares em meio à vegetação.

Testemunha essencial

Na época do fato, o delegado que atendeu a ocorrência, Ricardo Augusto de Oliveira Jordão, declarou que o relato da patroa de Ariane, Silmara Perpétua, proprietária do Serv Festa, onde Ariane trabalhava há oito meses como garçonete, foi muito importante para esclarecer a morte da jovem. Silmara também foi ouvida no júri.

No dia do fato, Ariane deveria estar no local de trabalho às 17:30 horas, e, como às 18:00 horas ainda não havia chegado ou sequer telefonado avisando que iria se atrasar, Silmara resolveu procurá-la.

Ao ligar para Ivan, o mesmo relatou que não sabia onde a esposa estava e que a mesma havia saído de casa por volta das 15:00 horas.
Silmara e outra funcionária foram até a casa de Ariane e, de lá, juntamente com Ivan, seguiram até as casas de alguns amigos e conhecidos para procurá-la. Como não a encontraram, eles retornaram à casa de Ivan.

Ao adentrar no quintal, Silmara viu a bolsa de Ariane e o celular no sofá, o que lhe chamou a atenção, assim como o fato da sala estar muito bagunçada.

Foi então que Silmara resolveu falar sobre o caso à polícia, já que anteriormente Ariane havia comentado que o marido estava muito agressivo e que o casal estava brigando muito.

A Polícia Militar foi acionada para dar apoio e, na casa de Ivan, o mesmo disse aos policiais que não sabia onde a esposa estava. Enquanto isso, populares que passavam pela estrada de terra encontram um cadáver feminino.

Ivan foi preso naquela mesma noite e até então encontra-se preso na Cadeia Pública de Santa Fé.

Defesa

O advogado Gilberto Antonio Luiz explicou que a defesa de Ivan alegou que o réu agiu sobre o domínio da emoção.

“Trabalhamos para que o caso fosse julgado como homicídio privilegiado, ou seja, sobre violenta emoção, logo após injusta provocação Alegamos também legítima defesa e seu excesso, para que o réu fosse condenado por homicídio culposo, sem intenção de matar, além de pedir o afastamento da qualificação de asfixia”.

O advogado relatou que entrará com recurso visando anular o julgamento feito, para que outro júri aconteça, tendo em vista que a decisão é contrária a prova dos autos. Porém, se o recurso não for aceito, a pena de 15 anos pode progredir a cada dois quintos, ou seja, daqui a 6 anos, Ivan começará a cumprir o regime semiaberto, e, após cumprir mais 2/5 da pena assim, poderá cumprir regime aberto.

Família

As filhas de Ariane e Ivan, que hoje tem 9 e 4 anos, moram com os avós maternos, que tem a guarda judicial das mesmas e, segundo informações, por opção, elas não mantém contato com familiares do pai. Seu Rael contou que, às vezes, as garotas o chama, bem como sua esposa, de pai e mãe e que as duas tem total conhecimento do crime ocorrido.

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