Decoração de Natal praticamente some de Rio Preto.

Nany Fadil

Os enfeites de Natal estão escassos nas ruas de Rio Preto. Os imensos papais- noéis, árvores decoradas com até quase dez metros de altura, arcos iluminados e o tradicional “Feliz Natal” que piscava e abria sorrisos no rosto de crianças e adultos não alegram mais rio-pretenses e visitantes. “A queda nas vendas dos enfeites é de pelo menos 20% em comparação com o ano passado”, afirma o gerente da loja Universo de Rio Preto, Flávio Júnior Cavalcanti.

“As pessoas estão sem motivação. No Centro, a gente nem percebe que estamos na época das grandes festas. Ainda não vi nenhum Papai Noel no Calçadão distribuindo balas”, afirma ele.

Grandes redes de lojas e supermercados estão com queima para tentar desovar árvores, pinheiros e enfeites que ficaram nas prateleiras à espera do consumidor. Na loja Universo, 7 metros de lâmpadas led, que custavam R$ 19,90 em novembro, podem ser compradas agora por R$ 14. Até  os camelôs tentam vender os produtos natalinos a preços de custo para não sair no prejuízo.

Sem luzes

Com o caixa negativo, a Prefeitura de Rio Preto  deixou de investir neste ano na decoração natalina. O concurso que premiava as melhores fachadas  também não vai acontecer este ano. E o clima de desânimo afeta a população. Depois de cinco anos com noites que brilhavam ao piscar das pequenas lâmpadas e enfeites de Natal, a família Valério decidiu por não montar a árvore e nem decorar a fachada da casa.

“Nós não entramos no clima”, diz o auxiliar de expedição Flávio Henrique Valério, 37 anos. “Um pouco foi pela falta de dinheiro e outro, pelo desânimo mesmo”, afirma.

A “vinda” do bom velhinho pesou mais do que a falta de tempo e de vontade para a bancária Fernanda Zamai, 31 anos. Ela adora a decoração natalina, mas estava decidida a não montar a árvore, nem o presépio e nem enfeitar a fachada.

Foi o filho João Pedro, 4 anos, que fez Fernanda deixar o desânimo de lado e preparar a casa para as festas. “Ele disse que se eu não montasse a árvore, o Papai Noel não viria. Comprei uma nova decoração e enfeitei a casa toda”, afirma Fernanda.

Recado

Na semana passada, o bispo de Rio Preto, dom Tomé Ferreira da Silva, escreveu no Twitter que as famílias devem resgatar a tradição de montar presépios, como forma de homenagear o personagem principal do Natal. “Vivemos a civilização da imagem. O presépio bem feito é precioso instrumento para mostrar que o Natal é de Jesus. Faça o presépio em sua casa”, postou dom Tomé.

Para o padre Alessandro Lopes, da Paróquia Maria Mãe de Deus, a queda no interesse em montar presépio ou mesmo decorar a casa não estaria ligada à religiosidade, e sim, à falta de estímulo. “Quando a prefeitura enfeita a cidade acaba estimulando a população a fazer o mesmo. Mas, quando você anda por Rio Preto, nem percebe que estamos perto do Natal.”

Alternativas

A falta dinheiro fez o secretário de Desenvolvimento Econômico de Rio Preto, Carlos de Arnaldo, optar por uma decoração de Natal sem brilho. Limita-se apenas a um chafariz em frente à prefeitura, instalação de luzes em dez árvores no distrito de Schmitt e iluminação em árvores na avenida Alberto Andaló. Empresas e entidades contribuíram com R$ 200 mil para esse projeto e a prefeitura, entrou com R$ 37,5 mil. Em 2011, o município investiu R$ 575 mil com a decoração natalina. “Você não pode fazer o que não pode pagar. É muito simples, é matemático”, disse Carlos de Arnaldo.

Segundo ele, os papais-noéis gigantes, que foram comprados pela prefeitura, foram cedidos para entidades de Rio Preto e um está montado no Parque Ecológico. “Tivemos que cortar custos e cortei onde achei que seria menos prejudicial à população”, disse o secretário.

A falta de dinheiro não é exclusividade da Prefeitura de Rio Preto, mas o problema não atinge a decoração de Natal feita em Santa Fé do Sul, uma das mais bonitas do noroeste paulista, e que atrai turistas de todo o estado. Os enfeites, confeccionados por equipe de funcionários municipais, são de garrafas pet. Estudantes contribuem com o projeto entregando a matéria-prima.

Como os enfeites são guardados ano após ano a decoração não tem custo elevado para o município. Em Goiânia, a administração municipal encontrou uma alternativa pouco dispendiosa para manter o concurso e incentivar a população e as empresas a decorar fachadas. As mais bonitas ganham descontos de até 100% no IPTU.

Na contramão, moradora e Acirp decoram fachadas

O clima de Natal ilumina a casa da empresária Claudete Santos, de 45 anos. Há seis, ela enfeita a sacada de 12 metros de cumprimento. A cada ano, a decoração ganha novos contornos.

Tem Papai Noel no trenó, de bicicleta, na moto, no helicóptero, subindo escada, na árvores e estrelas pisca-pisca, além das próprias luzinhas.

“Acho lindo e quando terminamos de enfeitar é uma alegria só”, diz a empresária. A família  para durante um dia inteiro para montar a decoração.

Claudete diz que passava nas ruas de Rio Preto e via casas e empresas decoradas e isso a motivou a fazer o mesmo.“É uma pena que Rio Preto está tão sem graça neste ano”, diz.

A casa da empresária virou referência no bairro Cidade Jardim.

Crianças pedem para as mães as levarem à noite para ver a decoração. Os adultos tiram fotos. “Uma senhora veio aqui com uma criança e disse que o filho não sossegou até ver de perto a decoração”, diz Thaiane Santos, 21, filha de Claudete.

Neste ano, a decoração recebeu luzinhas led na fachada inteira. Mas o sonho de Claudete é comprar um “Feliz Natal” gigante e colocar em frente da casa.

Cerca de 36 mil microlâmpadas de led em dois tons de branco (quente e gelo) recobrem as duas fachadas do edifício da Acirp (Associal Empresarial e Comercial de Rio Preto). A decoração é composta ainda por contornos feitos de mangueiras luminosas de led na cor branco gelo e enfeites aramados em forma de asteriscos, que ficam nos balcões. O investimento foi de R$ 30 mil e parte dos recursos vieram de patrocinadores.

A decoração foi feita com base na iluminação, sem interferir no estilo art déco do prédio.

A tecnologia de led oito vezes mais econômica do que as lâmpadas incandescentes que eram usadas antes que resulta em economia de energia, mas com o mesmo resultado belo e encantador, atrai turistas para o centro comercial de Rio Preto. “A decoração natalina do prédio da Acirp há anos é uma atração para consumidores da cidade e região”, diz o diretor cultural da Acirp, Daniel Rodrigues.

Origens das decorações

Muito antes de se comemorar o Natal, os egípcios já levavam galhos de palmeiras para dentro de suas casas no dia mais curto do ano, em dezembro, como forma de simbolizar o triunfo da vida sobre a morte. Os romanos enfeitavam suas casas com pinheiros durante a Saturnália, um festival de inverno em homenagem a Saturno, o deus da agricultura.

Naquela época, religiosos também enfeitavam árvores de carvalho com maçãs douradas. A primeira referencia à árvore de Natal é do século 16.  Em Strasbourg, Alemanha (hoje território francês), tanto famílias pobres quanto ricas decoravam pinheirinhos com papéis coloridos, frutas e doces. A tradição espalhou-se, então, por todo o mundo.

Fonte: Bom Dia.

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