Constroeste é acusada de “adulterar” base do asfalto.

Revelação foi feita, através de documento enviado ao Gaeco, em Rio Preto; denunciante se diz ex-fiscal da obra.

Uma testemunha oculta, em declaração enviada ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado), revela que a empreiteira Constroeste estaria adulterando a base do asfalto da rodovia Euclides da Cunha, no trecho entre Cosmorama e Tanabi, que está sendo duplicada. O problema apontado pela testemunha seria a composição da base do asfalto e a compactação. O DER (Departamento de Estradas de Rodagem) já havia determinado à CONSTROESTE, que refizesse toda a camada asfáltica nos pontos onde houvesse necessidade. A empresa é responsável, também pelo trecho entre Mirassol e Balsamo.

No documento que enviou ao Gaeco, assinado, a testemunha informa que a base de cimento foi trocada por uma base de brita com cimento e a capa asfáltica não é da espessura determinada pelo contrato. Muitos moradores das dezesete cidades atendidas pela rodovia, já reclamam das más condições da pista que nem está concluída.

Em um dos trechos da denúncia, a testemunha se diz ex-funcionário do DER e explica, que por cobrar da empreiteira a execução correta, acabou sendo afastado do cargo. “Houve, sim, no início uma determinação forte em fiscalização, um fato que chamou a atenção que o projeto de execução da base (camada final antes de receber a capa asfáltica) foi modificado a toque de caixa passando de solo cimento para solo com brita com adição de cimento, fato que executado de acordo com as normas não afetaria a qualidade, mas os problemas começaram, faço este alerta até por ter sido afastado da função por cobrar a empreiteira que executava o trecho que estava fiscalizando e foi nítido que a partir de um certo momento a fiscalização foi abrandada e segundo sei, de ponta a ponta da obra, mas relato aqui sobre onde estava trabalhando que era no trecho entre Tanabi e Cosmorama, sendo a executadora a empresa Constroeste”, diz o fiscal no documento mandado ao Ministério Público.

Delação

O Gaeco de São José do Rio Preto trata a denúncia como uma uma delação, que inclusive está anexada ao inquérito inicial da “Operação Fratelli”. No texto encmainhado ao Ministério Público, o fiscal ainda informa que em poucos anos, a rodovia poderá ter sérios problemas de deterioração do solo.

“Informo que o que está sendo feito na base é um absurdo, tenham certeza que dentro de 3 a 4 anos a pista vai ser um problema sério, a base foi e está sendo executada com qualidade longe de estar dentro do que deveria ser, fato que, facilmente será constatado se for feito controle por laboratório independente e sem estar vinculado as partes interessadas, pois hoje, os ensaios e relatórios são feitos e preenchidos de acordo com a necessidade, digo que tanto a quantidade de cimento e de brita estão longe do que deveriam ser, pra dizer no popular, soltaram a corda, as empresas estão voando livre”.

Outro fator é a espessura da capa asfáltica que não está do tamanho necessário e igual ao logo dos 186km de duplicação da pista. O fiscal também diz estar coletando amostras da construção por conta própria. “Já alerto também no que tange a espessura da capa asfáltica, pois também está havendo irregularidades, observem a olho que nos trechos urbanos estão colocando a capa com espessura bem maior do que no restante da pista, mesmo estando afastado, eles não podem me impedir de ir na obra, pois como cidadão tenho este direito e digo, não tenho recursos financeiros para fazer os ensaios e análises, mas por experiência, sei e muito bem onde estão os “roios” e mesmo até a noite estou indo no trecho e coletando amostras e tenho guardado em casa, alerto aqui para que tomem providências”, revela o funcionário público.

O valor inicial da obra completa de duplicação era de R$ 691,4 milhões, e foi aditado o valor de R$ 49 milhões às construtoras, para acréscimos de serviços tipo: drenagem, terraplanagem etc. Ficando o valor final das obras em R$ 740,4 milhões. O fiscal ainda alerta que o preço pedido pelas empreiteiras foi de baixo custo, e agora elas utilizam materiais inferiores para compensar os gastos.

“Espero que os responsáveis sejam punidos e que as autoridades tomem alguma providência. O que se percebe é que as empresas na hora da licitação fizeram besteira em dar preços baixos, e estão revertendo a situação baixando a qualidade e com conivência de quem teria que fiscalizar”, finaliza o fiscal afastado em delação ao MP.

Conservação

No site do DER, um edital para a contratação de empresas para a conservação da Euclides da Cunha já está em vigor, mesmo antes da duplicação ser concluída. Segue o resumo de Edital disponibilizado no site:

“Edital 057/2013 – CO – DR20: Execução de serviços de conservação rodoviária de rotina, abrangendo o pavimento, revestimento vegetal, sistemas de drenagem, faixas de domínio e elementos de segurança na SP 320 – Rodovia Euclides da Cunha, do km 453+000m ao km 629+700m, com 186,700 km de pista dupla e dispositivos, representando 373,400 km de pistas (ida e volta) e 167,111 km de dispositivos, compreendido entre Mirassol – Rubinéia (Divisa dos Estados de São Paulo com Mato Grosso do Sul), com extensão total de 540,511 km, sob jurisdição da DR.09, conforme especificações técnicas constantes deste Edital e observadas as normas técnicas ABNT”.

Refazer

Em nota oficial, O DER informou que, mesmo antes da denúncia ao GAECO, já havia determinado à Constroeste, que adotasse medidas cabíveis para solução dos problemas detectados no material utilizado no pavimento da Rodovia Euclides da Cunha. O DER obrigou a empreiteira a refazer toda a camada asfáltica nos pontos onde o problema foi apontado. Na mesma nota, o órgão diz que a fiscalização é feita por outras empresas. ”Cabe ainda informar que a supervisão das obras é realizada por empresas especializadas, que diariamente controlam a execução dos serviços”, diz.

Sobre o edital nº 057/2013-CO, referente à contratação de empresa para manutenção e conservação da SP-320, o DER informou que todas as rodovias sob sua administração passam por este tipo de serviço. A publicação do edital tem como objetivo garantir que, após a conclusão das obras, a rodovia possa receber serviços de limpeza da pista, de placas, poda, entre outros. O processo licitatório tem duração de 90 a 120 dias, por isso, a necessidade de início do processo.

Outro lado

O O Jornal procurou pela assessoria do governo do Estado, através da Secretaria de Comunicação, que não respondeu ás perguntas enviadas por e-mail. A direção da empreiteira Constroeste, que tem sede em São José do Rio Preto, também foi procurada, sendo que perguntas foram enviadas, porém não houve retorno até o fechamento desta edição, no sábado, às 14h.

Por Isabela Jardinetti e Jair Viana

Fonte: grupoojornal.com.br

 

Bookmark and Share