Alunos apoiam greve de professores.

Por Kayki Martins

http://www.ojornaldesantafedosul.com.br/arquivos/materias/mat106.jpgNa última terça-feira, 23, iniciou-se por todo o país uma greve nacional, de três dias, dos professores da rede pública, para cobrar o cumprimento da Lei do Piso, que foi sancionada há quase cinco anos e ainda não é cumprida por boa parte dos Estados e municípios.

Dados fornecidos pelas secretarias da Educação e pelos sindicatos apontam que 10 Estados, entre eles, Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás, Rondônia, Alagoas, Bahia, Pernambuco, Piauí, Sergipe e Maranhão pagam abaixo de 1.567,00 para um docente com jornada de 40 horas semanais.

Apesar de esse não ser o caso de São Paulo, que paga um pouco acima do piso, a paralisação também está ocorrendo no Estado, pois, de acordo com os professores, o valor ainda é muito baixo, de modo que a categoria reivindica um aumento de 36,74%, entre outras questões, como a melhoria das condições de trabalho, a valorização dos profissionais, o fim da violência nas escolas.

A diretora da sub-sede da Apeosp - Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, Maria Helena Batista de Souza, afirmou que as reivindicações não abrangem somente a questão salarial, mas outros fatores que vem prejudicando os docentes e tendem a piorar. “Dentre muitos problemas, pode-se citar, por exemplo, o fato dos professores da categoria O, que são profissionais iniciantes contratados, mas que dão aulas normalmente, como os das demais categorias, não poderem utilizar o plano de saúde do Iamspe - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual-, bem como a iniciativa do estado em querer privatizar o hospital do servidor, sendo que todas as categorias contribuem nele; a retirada do direito dos professores utilizarem as faltas médicas quando necessário; entre outros” disse Maria Helena.

Segundo a diretora, eles buscam uma valorização real para a classe do professorado, com realização de concurso público para a contratação de mais professores, e para realmente colocá-los nas escolas, pois, hoje, a quantidade existente não atende a demanda, e isso se dá exatamente pela falta de valor que as pessoas vêem na categoria, da qual cada vez mais se distanciam.

Ainda de acordo com Maria Helena, se nada for feito agora, em 2 ou 3 anos a situação será muito mais difícil de se reverter, e a falta de profissionais causará prejuízo ao ensino, tanto no estado, como no país.

Em apoio a greve dos professores, alunos do terceiro colegial da Escola Estadual Professor Itael de Mattos organizaram uma manifestação solidária em frente ao portão da escola, e reuniram dezenas de alunos com bexigas e faixas para demonstrar esse apoio.

Segundo um dos alunos, Carlos da Silva Júnior, 16 anos, eles entendem e apóiam integralmente as reivindicações dos professores. “Estamos juntos nessa, somos os principais beneficiados com atitudes que melhorem a educação, ou os principais prejudicados, caso nada seja feito, e os professores são a base disso. Mexeu com eles, mexeu com nós”, afirmou Carlos.

Ontem, 26, também foi realizada uma passeata, dessa vez organizada pelo jovem Jhonatan Pupin, do 3º colegial G, que saiu da escola Eepim e seguiu pelas ruas do centro da cidade.

De acordo com Jhonatan, o objetivo foi mobilizar pais, alunos e toda a sociedade de modo geral, para que mudanças realmente ocorram. “A conscientização de que o ensino é a base de todo o país será a forma pela qual se dará finalmente as reformas nessa questão, que é primordial e essencial” disse o aluno.

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